Sara Falcão/FPT
Foi uma estreia rápida e vitoriosa para Gastão Elias no Open de Oeiras, torneio ATP Challenger de categoria 125 que decorre esta semana nos campos de terra batida do Jamor. O experiente tenista português gostou da sua exibição e admitiu na conferência de imprensa pós-jogo que sente algo de diferente quando entra em campo no famoso Centralito.
O tenista natural da Lourinhã trazia um impressionante recorde de 15 vitórias consecutivas nos campos de terra batida do Jamor e hoje somou mais uma ao bater o polaco Kasnikowski por 6-1 1-1 e desistência. Elias lamentou a lesão, mas estava naturalmente agradado pelo pouco desgaste: «Neste momento há que ir buscar as vitórias de qualquer maneira. Para ele é um bocado mais chato isto ter acontecido e espero que não seja nada de grave. Da minha parte acho que comecei bem, bastante agressivo. Comecei um pouco nervoso também, já há algum tempo que não jogava neste campo. Apesar de ter-me corrido bem ao longo destes últimos anos, mas já há quase 2 anos que não jogava um encontro aqui. Fico feliz por ter conseguido jogar bem com isso, acho que joguei um bom ténis».
No início de 2024, também em Oeiras mas nos campos de indoor em piso rápido, Gastão Elias perdeu uma final Challenger para o polaco, mas tal não serviu como base para o duelo de hoje: «Não trouxe nada do duelo em piso rápido, são encontros completamente diferentes. Levando isso em consideração, mais o facto de eu me sentir bem neste campo, entrei mais focado em fazer bem as coisas. Mesmo tendo perdido com ele no início do ano considerava-me um pouco favorito por tudo isto. Pedi alguma ajuda ao Frederico Marques [treinador do Pedro Araújo], já que o Pedro tinha jogado com ele na primeira ronda do qualy, porque eu não tinha muitas informações de como ele jogava em terra batida. O Fred ajudou-me um pouco e com toda essa informação consegui colocar tudo em prática».
Nas últimas semanas, Gastão Elias tem viajado essencialmente sozinho, apenas com a sua companheira, pois o seu treinador Guilherme Balboa foi pai recentemente: «Não sei quando volta, ele tem uma filha com 2 meses, tem dormido pouco mais de 5 horas e portanto acho que ainda é cedo para ele abandonar a família. Obviamente quando ele puder ficarei feliz de revê-lo, embora nós estejamos em contacto todos os dias. Ele está longe, mas está dentro desta equipa. Está presente, preocupado e faz o trabalho de casa muito bem feito sempre. Só espero que tenha as horas de sono que merece».
Com 16 vitórias consecutivas na terra do Jamor, Gastão Elias chega a este Open de Oeiras com alguma cautela, mas admite sentir-se bem e com expectativas para o torneio. «Não tenho tido resultados brilhantes, mas as circunstâncias são diferentes. Tenho jogado qualy todas as semanas e fisicamente é muito complicado. Jogas todos os dias com jogadores muito duros, por poucos pontos ATP e é muito desgastante. Acaba por ser difícil encaixar uns bons resultados a nível de quadro principal. Ao mesmo tempo tenho ganho um bom número de jogos, que me permite estar mais rodado e com confiança suficiente para chegar aqui e jogar a um bom nível», atirou o antigo top-100 ATP.
Se há algo que parece evidente, é que o Centralito tem algo de especial para Gastão Elias e nem o próprio consegue negá-lo: «E depois parece que este campo tem alguma magia, gosto do som da bola, sinto-me confortável. Não estou a jogar o melhor ténis da minha vida, mas quando entro dentro daquele campo sinto-me bem, sinto-me em casa. Espero que seja como o Tsitsipas em Monte Carlo, que entra ali e joga o seu melhor ténis. Mas não estou a pensar nas 20 vitórias consecutivas, estou a pensar nas 17. São 5 jogos muito difíceis, mas mentalmente e fisicamente estou apto para ir longe se isso aparecer».
