Esteve apenas a dois pontos de uma das maiores vitórias da sua carreira, mas Jaime Faria acabou por não conseguir selar o apuramento e caiu nas meias finais do Oeiras Open 3, torneio do Challenger Tour de categoria 125. Na sala de imprensa, o jovem tenista português fez uma análise mais fria ao que se passou em campo e apontou ao que não correu tão bem.
O tenista lisboeta de 20 anos admitiu que “faltou um bocadinho mais de determinação, mais de coragem nos momentos importantes em que eu estava à frente”, mas admitiu que o argentino Francisco Comesaña, 115.º na hierarquia mundial, “teve mérito na maneira como virou o jogo” depois de ter estado a perder por 5-7 1-4. Faria não lidou bem com a derrota do segundo parcial e acabou por perder o encontro por 7-5 6-7(4) 0-6.
O tenista argentino foi assistido a um problema na coxa quando perdia por 0-3 na segunda partida e a realidade é que esse momento mudou por completo o encontro: “Acho que depois do Medical Timeout cheguei a voltar um bocadinho mais tarde no set, mas é verdade que tive ali uma quebra, não estava à espera que ele tivesse uma pausa tão grande. A assistência demorou 5 minutos ou mais, acho que não lidei bem com isso. Apesar de ter conseguido ganhar um jogo de serviço, não consegui ganhar energia e voltar a entrar no mesmo registo”.
Para Jaime Faria, o terceiro set acabou por se decidir logo no arranque do mesmo, onde Comesaña “foi feliz na maneira como fez o break e depois ele começou a soltar-se, começou a jogar melhor ténis”. Já o português, admite que ficou “mais cabisbaixo”, levando “novamente o break e as coisas ficaram mais complicadas. Acima de tudo foi superior e teve mérito nisso”, atirou.
O balanço da semana para o tenista do Centro de Alto Rendimento, depois de enfrentar dois jogadores à porta do top-100 – Thiago Monteiro e Francisco Comesaña – é, segundo o próprio, uma «lição de humildade»: “Esta semana dos jogadores com melhor ranking que enfrentei o que eu mais retiro é a humildade que eles têm. Apesar de estarem a jogar contra um wildcard da casa a jogar a um grande nível, mantinham-se sempre dentro do jogo, não abriam a boca. Portanto há que aprender com esses jogadores, o argentino também, mesmo comigo a fazer bolas no limite, algumas madeiradas. Acho que hoje tive uma lição de humildade dele. Tenho que aprender com os bons”.
Naturalmente, esta semana teve muitos pontos positivos, pois Jaime Faria estreou-se numa fase tão adiantada de um torneio desta categoria e vai entrar no melhor ranking da carreira. A próxima semana é também de competição e amanhã viaja já para Ostrava, na República Checa, onde disputa o primeiro torneio fora de Portugal em 2024.
Debaixo de alguma dúvida fica a sua participação em Roland Garros. Jaime Faria irá surgir na 230.ª posição ATP na próxima segunda feira e esse ranking costuma ser suficiente para entrar no torneio, mas não é ainda totalmente garantido: “Agora já não há nada que eu possa fazer, sofri dentro do campo, não sofri o suficiente para ganhar o jogo, por isso agora vou sofrer a ver as listas como correm, a ver se entro ou não. Agora já não há nada que possa fazer. Vou a Paris de qualquer forma e assinar como alternate, mesmo que não entre direto”, concluiu.
