Balanço do Oeiras Open 3: sem confiança e a viajar sozinho, Comesana volta a “sorrir” com o maior título da carreira e um “sonho cumprido”

Sara Falcão/Federação Portuguesa de Ténis

A alta roda do ténis masculino teve mais uma paragem em Portugal e no Jamor, para a realização do Oeiras Open, torneio ATP Challenger de categoria 125. Uma semana repleta de imenso sol, calor, ótimas condições para a prática da modalidade e muito bom público desde o início do torneio, algo por vezes raro de se assistir no circuito ATP Challenger.

Encabeçado na lista de cartaz pelo antigo top-10, Fabio Fognini (95.º ATP), o Oeiras Open 3 voltou a reunir bastante história ao longo da semana. O torneio foi repleto de surpresas e dos oito cabeças de série, apenas um chegou aos quartos de final: Francisco Comesana (115.º ATP), o jovem lutador argentino que esteve à beira da derrota em dois encontros consecutivos, e que viria a conquistar aquele que é o seu título mais importante da carreira e a entrada no top-100 pela primeira vez.

Um dos grandes encontros da semana protagonizou-se entre dois italianos. A jogar o melhor ténis da sua carreira, Stefano Napolitano (125.º ATP) aterrou em Oeiras com o troféu do Challenger de Madrid e viveu uma autêntica epopeia frente ao compatriota Fabio Fognini. Numa maratona de quase três horas, foi Napolitano a levar a melhor num tiebreak da terceira partida.

O tanque de Napolitano terminou perante a consistência do francês Ugo Blanchet (192.º ATP), tenista gaulês que foi destaque nesta semana. Na sua campanha até à final, começou por superar uma das grandes esperanças da casa, o jovem português Henrique Rocha. Essa foi, talvez, uma das grandes surpresas da primeira ronda, mas o portuense não teve soluções para contrariar Blanchet num jogo em que esteve desafinado na resposta.

No duelo decisivo do torneio, que se disputou debaixo de um forte calor e com boa “casa” no Court Central do Jamor, Comesana e Blanchet enfrentaram-se por mais um titulo em solo europeu. Após uma enorme batalha que se aproximou das três horas, o argentino superou este desafio e findou a semana da melhor forma. Sempre muito alegre e a viajar sozinho esta semana, o tenista albiceleste deu a volta aos problemas e voltou a recuperar a confiança que havia perdido no começo do ano.

Entre os mais diversos feitos, Comesana juntou-se a um elenco de luxo de tenistas argentinos a brilharem em Portugal, depois de David Nalbandian e Juan Martin Del Potro terem conquistado o Estoril Open.

Já com quatro títulos Challenger conquistados ao longo da sua (curta) carreira- dois títulos Challenger da categoria 50 e outros dois da categoria 75- o argentino conquista assim o maior título da sua carreira.

A figura inevitável deste torneio foi Jaime Faria (255.º ATP). A realizar uma época de 2024 memorável (começou a época fora do top-400 mundial) estreou-se esta manhã no top-230 mundial. Tudo isto graças a uma semana memorável, onde começou por bater o brasileiro Thiago Monteiro (112.º), assinando a maior vitória da sua carreira. A campanha findou nas meias finais da prova, onde liderou por 7-5 6-5* 30-30, e chegou a estar a dois pontos da vitória, mas acabou por deixar fugir o triunfo. O serviço fortíssimo de Jaime Faria – chega a servir perto de 220km/hora – voltou a impressionar na terra batida do Jamor.

Entre os portugueses, Gastão Elias não conseguiu manter a sua invencibilidade no ‘Centralito’, que ia em 16 vitórias consecutivas, e caiu na segunda ronda numa exibição algo “macia” e sem a alegria no ténis que reconhecemos habitualmente ao ‘Mágico’. Frederico Silva foi o quarto português em ação convidado pela Federação Portuguesa de Ténis, mas não foi além da ronda inaugural, numa altura em que ainda procura recuperar a sua melhor forma depois de uma cirurgia ao ombro no final do ano transato.

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